sábado, 12 de maio de 2007

NAÇÃO ZUMBI

Futura agora e mais 6 discos

Mais uma vez os tambores de Recife soaram no Circo Voador. No dia 12 de maio, a Nação Zumbi voltou à Lapa para mais uma apresentação de gala. Parte da turnê do CD Futura, o show reuniu músicas dos seis discos da banda e agradou tanto aos fãs da primeira fase, ainda com Chico Science nos vocais, quanto aos mais recentes.

Isso ficou claro já na abertura, com “Hoje, amanhã e depois”, primeira faixa de Futura, acompanhada por toda a platéia. Com Jorge Du Peixe comandando os delays direto de seu Kaoss Pad (modulador de voz e efeitos que ficava ao seu lado no palco), ficou visível a aproximação do som da banda com o dub nos seus trabalhos mais recentes. Isso também pode ser visto em “Blunt of Judah” e na versão light de “Manguetown”. Mas a mistura do maracatu com o rock e o metal que popularizou a banda também esteve presente em todo o show. Músicas como “Quando A Maré Encher”, a ultrapesada “Meu Maracatu Pesa Uma Tonelada” e “Da Lama Ao Caos”, que fechou a apresentação, mostraram que além da percussão, o trio formado Lúcio Maia (guitarra), Dengue (baixo) e Pupilo (bateria) também vai muito bem, obrigado.

Formada no início dos anos 90, a Nação Zumbi é uma das responsáveis por colocar o nordeste no mapa do rock brasileiro. O então vocalista Chico Science e Fred 04 (líder da banda Mundo Livre S/A) lançaram o Manifesto Caranguejos com Cérebro, espécie de cooperativa cultural que visava levar através das bandas e poetas regionais a cultura de Pernambuco para o mundo inteiro. Com isso, chamaram a atenção dos meios de comunicação (que até então só davam atenção às bandas do sul e sudeste) para a efervescente cena cultural local. A mistura contagiante de maracatu e outros ritmos locais ao rock, ao reggae e ao metal rapidamente se tornou popular no meio universitário, levando à banda ao sucesso nacional com uma velocidade assustadora.


Com Chico nos vocais, a banda lançou “Da Lama Ao Caos” (1993) e “Afrociberdelia” (1995). No carnaval de 97, Chico Science sofreu um acidente fatal de carro, e o posto de vocalista da banda passou a Jorge Du Peixe, até então percussionista. Com ele, a banda iniciou uma aproximação com o dub e a música eletrônica e foi nesses moldes que vieram “CSNZ” (1997), “Rádio S. Amb.A” (2000), Nação Zumbi (2002) e “Futura” (2005). Formada por Jorge Du Peixe (voz), Lucio Maia (guitarra), Dengue (baixo), Pupilo (bateria), Toca Ogan (percussão) e Gilmar Bola 8 (percussão), a banda já recebeu inúmeros prêmios, se apresentou em quase todos os grandes festivais brasileiros (incluindo o Rock in Rio III) e é uma das bandas nacionais mais respeitadas no exterior, tendo estado inclusive no renomado programa “Later With Jools Holland”, do canal BBC, de Londres.

Texto: Leandro Ravaglia
Fotos: Fernado Shackal

Evento ocorrido no sábado, 12 de maio de 2007.

segunda-feira, 30 de abril de 2007

BUZZCOCKS, Carbona e Lambrusco Kids


A noite de véspera do dia do trabalhador foi uma legítima festa punk no Circo. No palco, os integrantes do Buzzcocks descarregaram mais de 30 anos de bagagem punk em um show inesquecível. Os coroas, que já passaram de meio século de vida, esbanjaram vitalidade e desfiaram vários dos seus clássicos: Love You More, Autonomy, Noise Annoys, Why Can't I Touch It... todas sem pausa, no melhor estilo punkrock onetwothreefour!
Na platéia, ou melhor, no meio da roda de pogo, uma mistureba que incluía velhos punks já pelos 40, moleques que queriam saber de onde seus NX Zero e CPM22 vinham e mais uma galera que não fazia idéia do que iria encontrar, mas aproveitaram a véspera do feriado pra assistir a mais um dos shows que só o Circo mesmo poderia trazer.
Formado em 1975, na Universidade de Bolton, na Inglaterra, os Buzzcocks (“jovens barulhentos” ou ainda “pirocas barulhentas” numa tradução um pouco menos conservadora) se inspiraram nos contemporâneos Sex Pistols para criar sua banda. Sua marca registrada era agregar melodias pop às guitarras cruas do punk em temáticas menos políticas e mais fanfarronas que a média das bandas da época. Tal estilo, influenciou diretamente bandas como Green Day, Pixies e toda a geração EMO, tão popular hoje em dia.
A abertura da casa ficou por conta de Carbona e Lambrusco Kids. O Carbona é carioca e tem nas letras irônicas e inocentes sua base. Ao longo de 7 anos de estrada, a banda lançou 7 discos e já fez mais de 250 apresentações por todo o Brasil.
O Lambrusco Kids é de São Paulo e tirou seu nome de uma música do Toy Dolls. Na estrada desde 99, a banda tem no currículo shows na Inglaterra em lugares como o Dove & Rainbow e no festival Wasted, além de apresentações que contaram com a participação de integrantes do Toy Dolls, Agnostic Front e UK Subs.

Texto: Leandro Ravaglia
Fotos: Miriam Roia

Evento ocorrido na segunda-feira, 30 de Abril 2007.

terça-feira, 20 de fevereiro de 2007

NO EMBALO DO QUIZOMBA

Perdoem a frase clichê, mas este carnaval não vai foi igual àquele que passou. Pelo menos para o bloco Quizomba, que fez pelo terceiro ano consecutivo seu desfile na terça-feira de carnaval, saindo do Circo Voador, passando sob os Arcos da Lapa, fazendo o retorno pela Glória e retornado ao ponto de partida.

Porém, se o percurso foi o mesmo dos outros anos, a diferença estava na quantidade recorde de foliões que seguiram o Quizomba, embalados por sambas de todas as épocas, clássicos da música popular brasileira, afoxés, músicas pop, e as imortais marchinhas. Mais de 6 mil pessoas seguiram a bateria liderada por André Schmidt e as vozes de Magali e Anna Luisa, transformando a Lapa num verdadeiro mar de gente de todas as idades, cores, crenças e nacionalidades. Harmonia nota 10!

O sucesso pode estar vinculado ao destaque que o grupo vem tendo, participando há anos deste movimento que ajudou a reerguer o carnaval de rua na cidade maravilhosa, promovendo não só o desfile de carnaval, mas oficinas de percussão o ano inteiro, shows na própria lona e em outras casas de espetáculo, desfiles na orla de Ipanema e outras ações que só ajudaram o Quizomba a conquistar seu espaço no coração dos batuqueiros.

E para quem quiser participar da brincadeira, a oficina do Quizomba da Escola Livre de Artes do Circo Voador segue o ano todo, sem perder o ritmo e
o embalo. As aulas acontecem as quartas-feiras, de 19 as 21 horas. Venha participar e quem sabe no próximo ano você também possa estar abrilhantando
o carnaval carioca!

Mais informações:
cursos@circovoador.com.br

Lencinho Smith

Evento ocorrido na terça-feira, 20 de fevereiro de 2007 (carnaval).

quinta-feira, 1 de fevereiro de 2007

Expresso 2222: Gilberto Gil e muitos convidados


Gilberto Gil já está de partida para o carnaval de Salvador, mas antes, ele e o Expresso 2222 fizeram uma parada em plena Lapa para mostrar o que estão preparando para a maior festa popular do país. Em uma noite cheia de atrações especiais, Gil relembrou grandes sucessos seus e dos visitantes e colocou a galera pra dançar até o sapato cansar.

Quem abriu os trabalhos da noite foi o Motumbá. Liderado pelo ex-timbaleiro Alexandre Guedes, o grupo mostrou por que seus ensaios têm feito tanto sucesso nas sextas feiras do Pelourinho. O nome significa “um pedido de bênção a Olorum” em yorubá e a julgar pelo sucesso da música “Bororó”, tal pedido vem sendo muito bem atendido pelo orixá.

Depois chegou a vez de Gil. Dono da festa, costurava as apresentações em duetos com seus convidados. Acompanhado por uma banda de primeira, recebeu no palco Toni Garrido, que sacudiu o Circo cantando “O Erê”, a primeira-dama do samba carioca Alcione, Preta Gil, que vestida de verde-e-rosa levantou a galera com o hit baiano “Chupa Toda”, sucesso com Ivete Sangalo, Lulu Santos, que atacou de MC cantando versões funk para seus sucessos e ainda “Diretoria”, hit dos bailes cariocas e Sandra de Sá, que com o vozeirão de sempre foi de Tim Maia Racional e “Olhos Coloridos”.

Sem os convidados, Gil não deixou em nenhum momento o show esfriar. Fosse em momentos agitados como “Toda Menina Bahiana” e “Atrás do Trio” ou em versões turbinadas de hits mais tranqüilos como “Esperando na Janela” e as versões de seu álbum-tributo à Bob Marley, o baiano mostrou o carisma de sempre e foi acompanhado pelo Circo Voador lotado por toda a apresentação.

Se esse foi apenas um ensaio do Bloco, já dá pra imaginar o que será o desfile do Expresso 2222 por Salvador. O trio faz o roteiro Barra-Ondina e não possui abadás, permitindo aos foliões que acompanhem toda a festa bem de perto sem gastar nada.

Leandro Ravaglia

Evento ocorrido na quinta-feira, 01 de fevereiro de 2007.

quarta-feira, 20 de dezembro de 2006

Caetaneando no Circo Voador!

Mick Jagger nunca deixou de cantar “Satisfaction”. Por mais que haja críticas aos Stones de não saber envelhecer e, portanto, soarem uma caricatura do que foram na juventude, Mick e companhia nunca decepcionaram seus fãs no que diz respeito a apresentar os clássicos. Por outro lado, Caetano passou quase duas décadas se esquivando de seu repertório que envolve o álbum Transa e coisas mais ligadas ao período tropicalista, onde dividia criações com Rogério Duprat, Tom Zé e os Mutantes. O motivo para isso não se sabe. Mas, vamos especular, assim como quem não quer nada, que o Caetano, então solteiro, deve ter ido a algumas festas com o filho Moreno ou com os amigos deste e percebeu que a moçada ainda acha Caetano um cara bem rock n’ roll. Que a juventude dança com gosto as faixas de Transa, Tropicália ou Panis et Circenses, Araçá Azul, Barra 69, e outras que disc-jóqueis que nasceram em tempos de “Xou da Xuxa”, soltam sem constrangimento ou ar de nostalgia nas suas potentes caixas de som. Então, Caetano, que um dia resolveu escrever suas verdades tropicais, resolveu aparecer no Circo Voador em pleno início de verão carioca, para cantar e tocar, depois de anos, suas verdades tropicais.
Diante do público, que variava dos contemporâneos do compositor a jovens dourados da praia diária das férias, emergiu um Caetano Veloso acompanhado da sua banda de garotos de trinta anos, fazendo uma entrada a la Franz Ferdinand, com direito a um show cheio de pulos, corridas, solos de guitarra e bateria, tapa na mão do público e até ameaça de mosh.


E esta platéia reagiu com entusiasmo a este Caetano que esbanjava energia, sentando uma única vez para uma canção solo no violão, que também rendeu um dos discursos da noite, onde afirmava ter adorado a síntese que haviam feito dele num blog: Ninguém agüenta mais esse Caetano falando. Agora pior ainda é aturar ele cantando violão. – A platéia, claro, veio abaixo.
Junto com clássicos como “It´s a long away”, “Alguma coisa está fora da ordem” e “Desde que o samba é samba”, mostrou as músicas do novo álbum como “Odeio”, “Homem” (esta parece até uma resposta tardia a “Super-Homem, a canção” do amigo Gilberto Gil), “Rocks”, “Não me arrependo”, entre outros. Todas cantadas em alto e bom som pelos caetaneados do recinto. Vale ressaltar também que não faltou reverência por parte de Caetano para com os músicos Marcelo Calado (bateria), Ricardo Dias Gomes (baixo e piano Rhodes) e Pedro Sá (guitarra), este último, por sua vez, assina junto com o compositor a direção musical do show. Todos os três possivelmente nascidos depois que Caetano já havia se lançado, exilado pela ditadura militar, retornado ao Brasil e feito a turnê do álbum Jóia. Todos os três muito bem afinados e entrosados com o jovem senhor que acompanhavam no palco.
Em suas primeiras falas, diante daquele mar de gente de braços e celulares erguidos, se dirigiu ao público de modo tímido com uma timidez que só Caetano saberia ter. Ao término, saiu de cabeça erguida, como só este mesmo Caetano saberia sair. E assim, durante dois dias, o Circo caetaneou de vez! Aplausos! Muitos! Vivos e sinceros! Como um show de Caetano no Circo Voador!

Lencinho Smith

Evento ocorrido na terça e quarta, 19 e 20 de dezembro de 2006.