quinta-feira, 25 de junho de 2009

Songoro Cosongo no Circo Voador!



Confirmando sua vocação de berço de novos talentos, o Circo Voador abriu suas portas no dia 19 de junho de 2009 para duas das mais promissoras novidades do cenário carioca. Lançando pelo selo Bolacha seu segundo disco, “Psicotropical Musik Vol. II”, o Songoro Cosongo levou pra lona da Lapa a mistura de salsa, cumbia, chorinho, jazz e mambo que sacudiu o carnaval de Santa Teresa.

Reunindo músicos de Brasil, Argentina, Venezuela , Colombia e Chile, o resultado dessa mistura só poderia ser o caldeirão de influências que o grupo já mostra desde o seu primeiro disco, “Misturado com cachaça fica muito bom”. A apresentação num Circo Voador lotado mostra a força da música independente carioca, que mesmo sem acesso aos grandes veículos de comunicação, tem público fiel e abrigo na casa de shows mais democrática do Rio de Janeiro.

Alternando o repertório do show entre os dois discos, o grupo sacudiu a platéia com músicas como “Nunca Digas Nunca”, “Pim Pirim Hey!” e o hit “Maracujá”. Ao final da apresentação, desceu do palco e saiu desfilando pelos jardins do Circo acompanhado do público como se ainda fosse carnaval.

A abertura da noite ficou por conta da Orquestra Voadora. Outro sucesso do carnaval carioca, o grupo, auto-definido como uma brass band carioca, tem em seu set list a absurda reunião de Tim Maia, Michael Jackson e o tema de abertura de Spectreman, uma festa onde imperam o bom humor e a fanfarronice, trilha perfeita para uma legítima noitada carioca na Lapa.


por Leandro Ravaglia

sexta-feira, 19 de junho de 2009

Moinho traz bons ventos ao Circo!


O Moinho já foi "Moinho da Bahia", já foi "o projeto novo da Lan Lan com a ex-vocalista da Banda Eva", já foi "um grupo de baianos fazendo temporada numa casa da Lapa", já foi "matéria de jornal", já foi "atração de várias casas de shows do Brasil todo"e, por fim, na noite de quinta, dezoito de junho de dois mil e nove, o Moinho veio ao Circo Voador mostrar o que é. E o Moinho é uma banda da pesada, irreverente e afinada, que escolheu um bom momento para registrar em DVD sua trajetória. E olha que gravar um registro não é tarefa fácil. O portão só abriria as 22h, mas as 18h o som já estava passado e as estrelas principais do filme, ou seja, os músicos, estavam devidamente vestidos, penteados e maquiados. E fizeram praticamente um show inteiro à portas fechadas para a equipe fazer registros que seriam impossíveis de serem feitos com o público presente.
Aberto os portões, o público garantiu seu lugar na boca do palco para esperar o Moinho soprar. E pouco antes da meia noite, Emanuelle Araújo, Lan Lan e Toni Costa surgiram como numa ventania no palco do Circo Voador atacando com "Na Lapa", samba reverência ao bairro que os projetou. Além desta, do disco "Hoje de Noite", atacaram também "Carnaval", "Ela briga comigo", a música que dá título ao álbum "Hoje de Noite", citando devidamente seu autor Nando Reis, "Baleia da Sé", "Esnoba", entre outras. Os Novos Baianos apareceram em "Besta é Tu", Dorival em "Maracangalha" e Gil em "Aquele Abraço". Uma verdadeira festa do Moinho, com a banda tinindo na afinação e regida por Toni Costa. Lan Lan batucou, cantou, dançou e, entre um birinight e outro, soltava uns risinhos e uns comentários. Emanuelle Araújo cativou a platéia desde o início batendo um papo com a galera em quase todos os intervalos. Complementando o grupo como backing vocal, Nara Gil estava elétrica com lâmpadas presas ao cabelo.
Mesmo quando a banda foi obrigada a repetir algumas canções, os fãs mais fiéis não arredaram o pé e acompanharam o registro até o fim. Uma noite de boa música, muita alegria, irreverência, na qual o Moinho pôde constatar a fidelidade e energia de seu público. E como se tudo isso já não bastasse, ainda tinha os ombros da Emanuelle Araújo, que certamente figuram entre as grandes obras da natureza! Texto: Lencinho

segunda-feira, 8 de junho de 2009

Móveis e Djangos no Circo Voador!

por João Xavi



O Móveis Coloniais de Acaju, banda principal, estava nascendo quando o Djangos, banda de abertura, já colocava na rua seu primeiro disco, o hoje clássico “Raiva contra o oba oba” produzido por João Barone (o baterista do Paralamas do Sucesso). Os dois fatos aconteceram há aproximadamente dez anos e de lá pra cá muita água passou de baixo da ponte da música brasileira. Nesse meio tempo o Circo Voador abaixou e ergueu sua lona, o Djangos voltou a ser independente, o Móveis apareceu pro mundo e cresceu como um fenômeno independente e agora, as duas bandas compartilham um mesmo momento: o lançamento do tão aguardado segundo disco.

Cheguei no Circo no exato momento que Djangos começava sua apresentação. Rolava um certo clima de apreensão de todas as partes. Abrir show é sempre uma tarefa arriscada porque as pessoas que estão ali não saíram de casa para assistir a abertura. E a banda, apesar de veterana, era praticamente desconhecida de grande maioria do público que há 10 anos atrás devia estar brincando de massinha ou assistindo Pokemón. Nada grave, senhoras e senhores. Duas músicas depois e a comunicação já estava devidamente estabelecida em um diálogo de gerações possível graças à doação de ambas as partes. O show foi 99% baseado no disco novo “Mundodifusão”, produzido e gravado por Marcelo Yuka, que está saindo do forno. Eu, que estive em cima do palco participando em uma das músicas, pude ver de frente como a platéia estava de coração aberto e no final do show já acompanhavam os Djangos com palmas, e no ritmo! Vitória coletiva e aquecimento perfeito para a catarse que ainda estava por vir.

Ouvi o naipe de sopro do Móveis afinando os metais, sim gente espera, metal também se afina, no camarim e já bateu um friozinho na barriga. Não consigo entender essa banda racionalmente, mas o fato é que é praticamente impossível passar impune pela experiência de um show do Móveis. A impressão é que os caras tomaram um banho de alguma poção mágica que potencializa a simpatia já inerente a cada um. Talvez seja esse o segredo. Apesar do tamanho (o cara é gigante!) e da disposição do vocalista (ele pula o show inteiro!) a banda não tem uma figura que concentra os holofotes, todos os dez músicos fazem parte do show, ou melhor do espetáculo. A apresentação é toda planejada e coreografada com muitíssimo bom humor. Os instrumentos viram objetos de cena e possibilitam situações hilariantes, com todo respeito ao mestre Raul de Souza, é engraçado ver um trombone sendo tocado com altas doses de deboche. Outro grande trunfo da banda é a constante tentativa de rompimento com a relação palco/platéia, nos já tradicionais trenzinho e roda, quando parte da banda se lança na pista e dança tête-à-tête com os fãs. O show é quase uma celebração messiânica. Pede-se pro público cantar, ele canta. Pede-se pro publico dar uma abaixadinha e um pulo, eles abaixam e pulam. O bacana é que não rola uma relação de “dominação”. Tudo acontece num clima muito positivo, numa onda de construção coletiva do que é aquele espetáculo. Não existe a possibilidade de simplesmente assistir ao show do Móveis Coloniais de Acaju, o grande lance é chegar junto e somar como mais um integrante da banda. A dica é: faça um bom alongamento, aqueça a garganta, pule o quanto seu corpo agüentar e cante até a garganta pedir: chega!

Evento ocorrido em 06/06/2009

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Um homem do teatro, os compulsivos e a perigosa!



No sábado, dois de maio de dois mil e nove, enquanto realizávamos no Circo Voador uma homenagem ao já saudoso vizinho Augusto Boal, me ocorreu que, por uma daquelas coincidências cósmicas, a banda que estava para subir ao palco, Farofa Carioca, nasceu de uma companhia de teatro. Pois é, era a década de noventa e um tal de Seu Jorge foi morar de favor num espaço da UERJ onde ensaiava um grupo encabeçado por Ancelmo Vasconcelos, Luca de Castro (pai da atriz Carol Castro), Antônio Pedro, Cláudia Borioni e outros. Inclusive um Gabriel Moura. E nas coxias, embalados pelas coxas das atrizes, nascia o Farofa Carioca. O resto é história. Mas, nos despedimos de Boal tendo uma banda no palco do Circo Voador, cujas raízes estão intrisicamente ligadas ao universo teatral.

E esta banda ainda não estava sozinha, e sim, acompanhada de Elza Soares que, por sua vez, não tem as origens ligadas ao teatro, porém é dona de uma voz que é um espetáculo único. Aliás, reescrevendo bem, Elza é única em muitos sentidos. O show aconteceu em clima de total descontração. O cenário incluía pneus, latões, correntes, bujão de gás, caixotes de feira usados como banco e uns degraus de madeira que colocavam o trio do sopro no alto.

A música "África" abre os trabalhos. Na sequência "Manguetown", clássico de Chico Science e Nação Zumbi, onde Elza aproveitava o refrão para brincar com seu vozeirão. Cazuza é lembrado com a execução de "Brasil". "Timbó", música do disco "Moro no Brasil", ganha um batidão dub graças a intervenção do dj/vj Muralha. Da obra de Jorge Ben Jor, atacam com "Mas que Nada" "Vendedor de banana" (onde surge incidentralmente a trilha de Batman e Robin) e "W/Brasil". Em "Mini-Saia", Elza sai de palco e volta com a respectiva mini-saia. Outro bamba, Bezerra da Silva, ressurge em "Vou apertar (mas não vou acender agora)". Do repertório do Farofa também aparecem "Pretinha", "Samba Rock" e "Moro no Brasil". No bis, "Rabisca Robson" é executada pelos cantores e apenas o power trio baixo, guitarra e bateria. Mais uma vez, a guitarra de César Barbosa, vestido a la Sgt. Pepper, dá um show a parte e deixa a turma boquiaberta. Que momento! "Yes, my brother", última música do disco do Farofa "Tubo de ensaio" também encerra o espetáculo, emendando com sambas enredos, como da Mocidade e da União da Ilha. E descontraindo da turma do gargarejo até o pessoal da arquibancada, a gangue toca uma música dos palhaços "Atchim e Espirro", que chegaram a apresentar um programa infantil na tv nos anos 80.


Tudo muito animado! Tudo muito vivo! Elza, que já dividiu palcos com Miltinho, Roberto Ribeiro, Elis Regina, entre outros, estava muito a vontade ao lado de Mario Broder, vocalista do Farofa Carioca. E o público do Circo, nitidamente, também estava muito a vontade diante daquele encontro de bons músicos e de boas músicas.
Salve Elza e o Farofa, que fizeram uma noite inesquecível. E, aproveitando estas linhas que chegam ao fim, salve o Mestre Augusto Boal, cujo Teatro do Oprimido, Teatro Fórum, Teatro do Invisível e seus estudos e desdobramentos, permanecerão vivos na vida de seus multiplicadores, estudiosos e admiradores.

Lencinho

sábado, 4 de abril de 2009

A Banda do Zé Pretinho chegou! E que bom que chegou!



04 e 04 de Abril de 2009

Desde 2004 tenho a honra de ter sido DJ em todas as apresentações que Jorge Ben Jor fez no palco da lona do Circo Voador. Acompanhei as passagens dele por este palco em 2004, 2005, 2006, 2007 e agora, estas mais recente, nos dias 03 e 04 de abril deste 2009. Posso dizer aqui nestas linhas que, dos artistas que surgiram na década de 60, sempre destaquei as apresentações de Tom Zé e Jorge Ben Jor. O primeiro, baiano que teve seu início de carreira associado ao movimento tropicalista, sempre brinda o público do Circo com shows inéditos, não se limitando aos seus sucessos, nem à repetição de repertório ou a banalização de discursos óbvios em cima do palco. Anote aí, leitor(a): show de Tom Zé no Circo é sempre uma saborosa caixinha de supresas.



O segundo, a quem se destina este texto, não abre mão do seus hits. Mas o que poderia ser um fator contra ou uma apresentação sem surpresas não cabe aqui. Jorge Ben Jor, com sua idade que é um dos grandes mistérios da MPB brasileira, é um dos poucos artistas que sobem no palco do Circo Voador para realizar no mínimo três horas de show. E sem muito papo furado pra passar o tempo. O devoto de São Jorge, acompanhado da banda do Zé Pretinho, emenda uma canção na outra, como quem não quer deixar nada da sua carreira escapar para aquele público. Aliás, o público de Ben Jor só faz ressaltar a longevidade e popularidade da sua carreira. Você vê lado a lado, a garota dourada de Ipanema, o militar na reserva de Realengo, a dona de casa de Madureira, a professora de informática de Botafogo, o casal de Juiz de Fora que estava passando o fim de semana na cidade, a gordinha do Grajaú, o canadense com caipirinha na mão, o bombadinho do Jardim Botânico e o garoto magrelo de dread locks do Méier. Todos lá. Pulando e cantando música por música. "Engenho de Dentro", "Que Pena", "Mas que nada", "W/Brasil", "Magnólia" e o que mais tocasse.



Uma das coisas que mais me agradou nesta apresentação foi a distribuição dos músicos no palco. Distribuídos em formato de "U", envolviam Jorge como se estivessem mais próximos. A bateria, virada no lado direito para o cantor, assim como o piano ao lado esquerdo, dava um tom de cumplicidade, de jam session, de "chega aí e vamos fazer aquele som". Na sexta, a música "Zé Canjica", do cultuado e raro álbum "Força Bruta" foi um dos destaques da noite. No sábado, que registrou recorde de público na casa, Jorge Ben Jor saiu para se recompor e voltar para o bis e, nesse meio tempo, o público cantou por inteiro o hino do Flamengo. Poucos segundos depois, o cantor voltava ao palco, cantando "Jorge da Capadócia", se cercando de várias "Miss Simpatias" escolhidas na platéia, e agradecendo ao pessoal da pista, da arquibancada, e da geral. Não precisa, Jorge. A gente é que agradece!

por Lencinho